quarta-feira, 23 de maio de 2012

Feridas no Cólo do Útero - Um problema frequente

Frequentemente, as mulheres de vida sexual ativa se descobrem com feridinhas no cólo do útero, isso faz com que algumas perguntas como: "Como foi que eu peguei  essa ferida?; "por que tenho que fazer cauterização?",  "Isso dói?” sejam muito frequentes nos consultórios dos ginecologistas.

Neste tópico vamos tentar explicar um pouco melhor o que acontece em nosso corpo:
O colo do útero é basicamente, um canal situado no fundo da vagina. A parte externa do cólo, que fica em contato com o ambiente vaginal, chamado ectocérvice, é coberto por um epitélio espesso que tem várias camadas de céluas sendo portanto, mais resistentes às eventuais agressões próprias do local, como acidez, agentes infecciosos (vírus e bactérias) e traumas mecânicos causados pelo coito. A parte interna desse canal, que se prolonga até a cavidade uterina, é muito mais delicada, sendo revestida por um epitélio fino e delicado que possui uma única camada de células. Por mecanismos hormonais (estrogênios), inerentes ao organismo feminino, o revestimento interno do canal sensível e frágil – passa a se localizar na porção externa do colo (eversão), o que torna mais sucetível a sangramentos durante as relações sexuais, existem infecções de diversas etiologias (clamídia, HPV), além de que, uma vez inflamado, passa a produzir uma quantidade excessiva de muco, que se exterioriza sob a forma de um corrimento espesso pegajoso e amarelo (cervicite).

Em outras palavras, a feridinha é uma consequência da influência hormonal durante a idade fértil.
A natureza reconhece que o ambiente vaginal não é o adequado para aquele apitélio que saiu do canal cervical e ficou exposto aos agentes agressores. Diante disso, ela sabiamente promove a substituição daquele epitélio mais frágil por outro mais resistente, por meio de um processo que, entre médicos, é conhecido pelo nome de metapasia. Em outras palavras, se não fizermos nada, a Natureza se encarregará de “tratar” a ectopia. O processo, porém é muito lento e irregular, podendo levar anos se completar.

A Cauterização: 
Entre as razões pelas quais se cauteriza a ectopia, estão os desagrádaveis sintomas por ela causados
(sangramento de contato,corrimento), a maior resistência do novo epitélio em relação ás infecções (DSTs) e uma Menor vulnerabilidade – isso é discutível- em relação ao câncer do colo.
A cauterização,como o nome indica,é uma queimadura,de intesindade e profundidade controladas,que tem  por objetivo destruir – completamente, e em questão de segundos – o epitélio evertido,aproveitando a capacidade regeneradora da Natureza. Durante o processo de cicatrização,que dura de quatro a seis semanas, há uma completa substituição daquele tecido frágil por outro mais resistente.
A cauterização do colo é realizada no consultório – preferencialmente ,nos primeiros dias que se seguem ao término da menstruação – e não requer qualquer tipo de anestesia, pois é praticamente indolor, apesar de algumas pacientes queixarem-se de uma cólica leve durante o procedimento.
Durante o periodo de cicatrização, por motivos óbvios, a abstinência sexual deve ser total. Nesse intervalo, recomenda-se a aplicação de cremes vaginais para acelerar o processo de regeneração. Entre o sétimo e o décimo dia após o procedimento pode ocorrer ( não aobrigatoriamente) um pequeno sangramento que,se se intensificar merecerá uma inspeção por parte do médico assistente.
Como a influência hormonal sobre o colo é constante a idade fértil da mulher (incluse durante a gravidez), uma porção do canal pode ser exteriorizar, decorridos alguns anos da primeira cauterização. Nesse caso, uma segunda cauterização será necessária.



Colo com Ectópia



Colo normal


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